11 de fev de 2010

Nonsense



Uma menina sonhou com o destino. Sonhou que em sua cabeça ela via as cenas acontecendo no plano das expectativas: todas perfeitas, memoráveis e belas (não necessariamente bonitas). Mas quando comparava o seu sol com o sol real, o das cenas verdadeiras, percebia que a imagem nunca era a mesma. Se imaginasse um momento, por exemplo um beijo muito esperado, e se tirasse uma foto do mesmo momento acontecendo para valer, veria que o jogo dos sete erros é fichinha comparado à quantidade de coisas que não estariam no lugar, ao jeito como o beijo foi realmente dado e como ela fantasiou.

"Querer não é poder"

Essa seria a frase que pertubaria o resto do seu sonho perfeito.

Depois do beijo supostamente cinematográfico e defeituoso, o Michael Jackson apareceu vestido apenas de cueca, trajando o corpo do Gerard Butler, o charme inenarrável do Johnny Depp e o sorriso do Charles Chaplin. Eles dançaram (e muito) e a menina fez panquecas (whatthehell?!).
Alguns minutos mais tarde, uma mulher abriu os olhos. Desvencilhou-se de um sonho bobo e sem importância. Correu para o banho já pensando na roupa que ia vestir quando saísse: senão ia se atrasar para o trabalho. Teve um dia entediante, cinza e sem vida.
Antes de voltar para casa, pensou: "Vou à padaria comprar um bolo com bastante glacê, recheado com nozes e maçã picada...".
Por mais prozaico que possa parecer, na padaria ela encontrou um homem que não tinha o balanço, os músculos e o olhar do homem que a tirou para dançar... mas ela cismou com aquele sorriso. Já o tinha visto em algum lugar? Aberto, sincero, contagiante e vivo. Bem vivo.




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