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12 de mar. de 2012

Música de fundo

A música tocava suavemente ao fundo. Suas mãos percorreram as curvas que o subjugavam e reconheceram a parte mais fina da sua dominatrix, onde elas finalmente acharam reposo. Seus olhos azuis encontraram conforto e carinho nas amêndoas que enfeitavam o rosto da sua Helena de Tróia.

Realmente, sentiasse capaz de lutar pelo seu amor e pelo direito de amá-la até o fim. Sentiasse capaz de lugar uma guerra inútil e perdida se isso o fizesse deslumbrar a possibilidade de vê-la novamente.

Percebeu que seu olhar se tornara tão intenso que a fizera corar violentamente e passar a encarar o movimento que os pés deles faziam. Pegou as mãos dela e as levou até seus ombros, onde as depositou.

Diminuiu o espaço entre seus corpos e guiou-a pelo salão com a leveza que a música sugeria. Ela encostou a cabeça no peito dele. Sentia-se segura e como se nada pudesse atingi-los.

Ela fungou e mais uma lágrima escorreu pela bochecha dela, molhando o pescoço do jovem dançarino. Ele levantou sua cabeça pelo queixo, com ar de preocupação.

Ela sorriu, ainda com lágrimas nos olhos.

- Não pare, adoro essa música.

E então ele sabia que tudo que ela precisava naquele momento é que eles dançassem eternamente.

Escrevi esse textinho há algum tempo, mas ele ficou escondido lá em casa. Ao me deparar com ele novamente, senti vontade de mostrar pro mundo! Espero que tenham gostado! :)

9 de abr. de 2011

Por Elisa Oswaldo-Cruz Marinho

EXPERIÊNCIA INACREDITÁVEL: ONDE É QUE VALE O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE?

Fui ao Cinema São Luiz no domingo, dia 3 de abril, às 18:30, com meu filho adulto e a namorada para ver um filme, que estava lotado. Para não perder a viagem, resolvemos ver outro, sabendo que não devia ser grande coisa, mas como era em 3D e tinha um bom protagonista, talvez servisse como diversão. O nome já sugeria violência: Fúria sobre Rodas.Ainda demos uma chance, achando que podia ser um filme estilo Tarantino, com violência explícita, mas com algum propósito e requinte. Ledo engano.

Embora o filme não fosse recomendado para menores de 16 anos – aliás, não recomento nem para maiores -, exatamente na nossa frente estava uma “mãe” com um menino de uns cinco anos, acompanhados de outras pessoas. Durante os trailers o menino falou bem alto: “Mãe, tenho medo de monstro!”, e o cinema todo riu, inclusive eu. No entanto, quando o filme começou, a primeira cena era alguém levantando a mão e levando um tiro que fez a mão ser arrancada e voar em direção a nossa cara – em 3D -, acompanhada de esguichos de sangue. O garoto começou a chorar e, numa demonstração de bom senso, pediu: “Quero ir embora!” Qual não foi nossa surpresa, então, ao ouvir a mãe dizer: “Cala a boca!” e continuar vendo o filme

Não pude ficar quieta. Falei alto: ”Vai embora, esse filme não é pra criança!” e a moça que os acompanhava falou: “É que ela não sabia que o filme era assim...” Eu respondi: “Tudo bem, mas agora já sabe e o menino está chorando, vai embora!” Aí a “mãe” vira-se pra trás e diz:”Não se mete” e eu respondo “Você não tem responsabilidade pra ser mãe, isso é abuso infantil, vou chamar o Juizado de Menores”, ao que ela retrucou “Então chama!”

A essas alturas, meu filho – de 25 anos e não de cinco – já tinha se levantado pra chamar o gerente e eu fui atrás. Quando cheguei lá fora ele vinha com o gerente e eu disse: “Tem uma mulher com uma criança chorando e querendo ir embora, vocês não vão tomar uma atitude? Como essa criança entrou nesse filme?” O gerente me respondeu que, infelizmente, ele não podia fazer nada porque a “mãe” havia “se responsabilizado” pela entrada da criança. Que lei é essa? Como é que é isso? Se uma “mãe” ou um “pai” se “responsabilizar” por entrar num filme pornográfico ou de extrema violência com uma criança, PODE? Cadê o Estatuto da Criança e do Adolescente?

Nesse momento, a “mãe” saiu do cinema com o pobre do menino - olhões arregalados - e foi direto reclamar com o gerente, dizendo que tinha perguntado na bilheteria se o filme “dava” pro garoto ver e tinham dito que sim. Mas essa era a preocupação dela – ter o dinheiro de volta, no que ela não está errada. Errado está o cinema em deixar uma criança entrar num filme trash de apologia à violência e a mãe, evidentemente, em não atender ao apelo da única criatura com bom senso nessa história – a criança. Mas se existe relamente uma lei que diz que o adulto pode se responsabilizar pela criança numa circunstância como essa, será que essa lei prevê casos como esse? Não seria o caso de reavaliá-la e inserir alguns outros parâmetros?

Pode ser que eles tenham, como nós, ido ao cinema para ver outro filme – próprio para crianças – e não tenham conseguido entrar, então tentaram outro. Não sou a favor da censura, mas a favor do bom senso. Num caso como esse, se a gerência do cinema não o teve, em prol de arrecadar mais uns caraminguás, nem a “mãe” do garoto, criatura abusadora, sem consciência nem preparo para o papel de mãe, querendo que a criança visse aquilo porque ela queria se “divertir”, quem deveria proteger essa criança?

Quando os adolescentes manifestam violência e desequilíbrio, todo mundo quer saber por que. Jovens despreparadas engravidam e criam seus filhos de qualquer jeito, sem noção da responsabilidade e das conseqüências para a cabeça da criança daquilo a que ela é exposta na infância. Provavelmente foram abusadas e replicam o abuso com seus filhos. Aí está um exemplo de como se formam esses jovens, que depois serão julgados como “casos perdidos”...  E eu me arrependi amargamente de ter entrado naquele cinema. Saí mal, por não conseguir avaliar o que foi pior: o filme ou a inacreditável experiência. Pelo menos, serviu pra poupar o menino...se é que ele ainda não levou uns cascudos por ter chorado...


Elisa Oswaldo-Cruz Marinho
Editora do Núcleo de Comunicação da Academia Brasileira de Ciências
Mãe de dois filhos

30 de mar. de 2011

O olhar de Minerva

Bombeiros na fachada da UFRJ, na Av. Pasteur
Sei que muita gente já sabe sobre o incêndio que ocorreu no campus da UFRJ na Praia Vermelha. Muita gente viu (ou leu, ouviu), mas ninguém viu o que eu vi. Todos sabem que uma pessoa preserva os seus valores e todo mundo é dotado de um acervo memorial e sentimental que só existe em unicidade, pois ninguém consegue viver duas vidas ao mesmo tempo. O que você carrega até hoje dentro de si, faz parte de um conjunto de memórias que ninguém mais possui: só você. Mesmo que uma mesma cena tenha sido vivida por você e outros tantos, nada é igual. Naquele momento, o que você viu, sentiu, pensou, marcou como importante e contará para uma pessoa se diferenciará por completo do momento do outro. 

Falo isso por dois motivos. O primeiro é porque a minha história com a UFRJ é um capítulo à parte na minha vida; o segundo, porque ontem eu vi uma tristeza que me impressionou bastante. Quando eu passei para a PUC, no ano de 2009, eu não esperava ver meu pai pagando faculdade particular. Ficar um ano inteiro fazendo pré-vestibular, se matando de estudar (verdadeiramente) E não passar para onde você mais queria, traumatiza. Traumatiza mais ainda quando você percebe seus pais adoecendo tentando pagar uma faculdade - como parte física e institucional, não me referindo a certas pessoas que levo com muito carinho e admiração - que não condizia (nem condiz) com a minha realidade. Não me refiro à realidade financeira - mesmo sendo verdade que não tenho condições de bancar uma puc - mas me refiro à realidade de espírito. Mas a grande surpresa foi que, sozinha, eu consegui recuperar minha segurança e passei para as duas faculdades federais do Rio de Janeiro. Sozinha e estudando ao mesmo para vestibular e para provas, trabalhos e projetos de final de semestre da faculdade.

Eu gosto de manter essa história só comigo por medo de outras pessoas me acharem esnobe. Mas descobri que medo é - também - não saber valorizar nossas pequenas conquistas, principalmente aquelas que nos trazem paz de espírito e a capacidade de nos fazer acreditar. Depois de um ano inteiro tentando tirar a UFRJ de dentro de mim, tive que reaprender a conviver com ela, sem me dar conta de tamanho valor. Mas para a minha surpresa, reconheci o clima tão acolhedor do meu amado Colégio Pedro II. E costumo dizer que só sendo um aluno do Pedro II para saber do que estou falando. Não é sua segunda casa: É a SUA casa.

 Vista de dentro da faculdade, com o prédio ainda com focos de fogo nas janelas. Detalhe para o céu que aparece do outro lado da janela: o teto já tinha desabado.
Ontem, quando o prédio inteiro pegou fogo, eu o senti chorando, como se tivesse vida. Essa é a capacidade do ser humano em ver emoção e sentimento em algo material. E o meu valor material em relação à UFRJ me lembra que dou muito valor a cada metro quadrado que existe naquele campus, que durante quatro anos eu vou compartilhar minha vida com ela e que eu sei novamente o que é o sentimento de pertencimento. 


A estátua da Minerva, no canto esquerdo, bem no topo
No topo do prédio, bem no cantinho esquerdo (para quem olha de dentro da UFRJ) existe a estátua de uma Minerva, símbolo da Universidade. Eu tenho um amigo, que na época que ele entrou lá - um período antes do meu - ele costumava dizer que estava tendo um caso de amor com a Minerva. "To indo me encontrar com a Minerva" ou "Hoje eu sou só da Minerva". Pois bem, você me conquistou Minerva e é pra vida inteira, tal qual o Pedro II.

Pra construir leva tempo, enquanto destruição é uma questão de segundos. Mas reconstrução ensina mais, muito mais. A Minerva sabe do que estou falando.

Bombeiros dentro do Palácio Universitário tentando conter o fogo

Mangueiras do corpo dos bombeiros bombeando água do mar, no Iate Clube, pois não havia água suficiente
*Fotos tiradas com o celular do meu namorado.

27 de mar. de 2011

Reciclagem, conhece?

Este blog aqui já foi depósito de muita coisa. Era somente meu no início, foi terra de ninguém faz um tempo e agora espero que seja de muitas pessoas. Meu blog antigo foi reciclado e por muitos motivos. Não me satisfazia mais em escrever só textos, queria mostrar tudo o que eu pensava ao mesmo tempo. Surgiu a ideia de fazer um primeiro blog com uma amiga chamada Helena (que ainda vai entrar aqui como dona). Mas um blog só de moda, cabelos e coisas de mulherzinha. Falamos, falamos e o tempo passou com muitas coisas para a cabeça pensar. Em dezembro (de 2010) fui trabalhar em uma loja aqui do Rio chamada Eclectic e conheci muita menina bonita querendo ganhar dinheiro. Foi numa dessas que conheci a Pocahon... errr TAMIRES, a Tamy, dali do Donas daqui. (juro, ela é igual à Pocahontas)

Enfim, passou dezembro, passou natal, veio janeiro com meu salário e falávamos ao msn uma vez ou outra. Daí que Tamy saiu da loja, quer passar pra PUC e fazer jornalismo com ênfase em moda. Saiu da loja pra estudar e fazer vestibular. Estudar somente não. Estudar MUITO, segunda ela e eu acredito. Desejamos toda a sorte do mundo a ela. Mas, pra quê esse rolo todo, né? Pois é... Tamy quer se sentir feliz, em um lugar onde ela possa falar de tudo, ler de tudo... um momento no qual ela pode sair do mundo vestibular e ser a Tamires pra valer.

E Thaís? That's (como carinhosamente eu a chamo) é amigona de faculdade (UFRJ -Escola de Comunicação) e queríamos fazer um blog também. Um blog para falar dos ateliês de moda e brechós dessa cidade que é o Rio de Janeiro. Compramos dois livros (chamados Ateliês de moda e brechós do RJ - DÃ!) e o intuito era sair desvendando esses lugares loucos e escondidos e divulgá-los para quem quiser ler e curtir. Mas... falamos, falamos e as férias passaram.

São quatro moças (até o presente momento) que tem muita coisa pra falar. Eu não sou mais a dona desse blog. Eu o criei (ñ me lembro o ano), eu o manti com coisas que não estavam mais me satisfazendo e eu senti muita falta dele. Foi mt feliz quando Tamy abriu meu blog e falou "Vamos aproveitá-lo, ele quer dizer tudo o que queremos fazer." Portanto, somos todas as donas desse blog. Um blog de muitas mães, reciclado e um lugar onde vc vai ver de tudo. Tudo mesmo.

Todas aqui são livres para falar o que quiserem. Como o título mesmo fala: é meio trash, meio tudo. Meio política, meio moda, meio assuntos de mulher, meio coisas sobre vestibular, meio coisas sobre a vida, meio ambições, meio desejos, meio dicas, meio + meio que se transforma em tudo =)

Obs: todas aqui são meninas muiiito trabalhadoras, umas com mais tempo, outras com menos tempo. Logo, não esperem regularidade nas postagens, esperem apenas uma blog com muiiito amor pra dar e que sempre que quisermos postar, faremos! Mas sem obrigação, com vontade. 
Um blog com muito conteúdo.

Dica do dia: Se gostarem ouçam Born This Way - Lady Gaga The country road Version.
Só clicar aqui

Beijos e atéee qualquer próxima!

31 de ago. de 2010

Em 3 minutos.

...podem acontecer muitas coisas.
Você pode parar pra pensar na sua vida e decidir que a maneira mais certa é aceitar o lado simples de um todo tão complexo. Você pode terminar de se arrumar, tendo em vista que você já está (tão) atrasado. Você pode ligar para uma pessoa, só querendo ouvir aquela voz (não necessariamente falar alguma coisa); ou você pode ligar e falar tudo naqueles sintéticos três minutos: não ter crédito é um problema.
Três minutos podem ser decisivos ou não.
Para mim, no momento, são uma pequena extensão de tempo dentro de duas horas que tenho entre uma aula e outra.
Mas acredito, piamente, que para a maioria das pessoas, três minutos não são nada. O homem simplesmente quer mais tempo, pois seu tempo acabou, é finito, ele quer extrair mais de onde só existem 24.
E - acreditem - parem de pensar em 24 como tempo limitado e definitivo. Você só tem a perder.
Pois em 24 horas existem vários três minutos e basta é uma palavra aproveitável que deve ser considerada.
O tempo quem faz é você.

15 de ago. de 2010

Só para dizer bom dia

Ontem me perguntaram como seria escrever uma história sem pensar. Apenas ir colocando pelo "papel" a primeira coisa que vem à cabeça. Libertador, #será?#

O meu dia vai dar tango. Isso porque o Franz Ferdinand toca Indie Rock e eu descobri isso hoje. Bem, isso é o que conta na descrição do Vagalume: Pop, Indie, Pós-punk. E eu nunca soube o que era indie mesmo. Nem mesmo a banda que eu mais gosto sabe encaixar um significado perfeitamente adequado à sua sonoridade. Como é mesmo que eles descrevem? é uma coisa como "soft-really-slow-melancholic rock".
(-n!)
Acabei de inventar, mas se vocês procurarem no google something like Coldplay defining its music, maybe, solamente maybe, you'll find.
E porque as geishas são consideradas prostitutas? A cultura mais milenar é a da China mesmo. Tá, mas elas são do Japão. (Porque eu falei China?) ...Então tudo vale a pena jogar pela lata do lixo, inclusive a tradição e cultura geishísticas (sic). Sabe o que elas falam agora pro cliente? "Time is money!" - naquele sotaque de japonês arriscando o inglês. O inglês "comeu" as geishas. O dinheiro é um mero detalhe.
E o João Paulo Cuenca. Eu acho que não gosto dele. Já viu como ele escreve? É tipo um filme em câmera lenta que quer tentar ser rápido e no final de tudo ele é o cara. "He's the man!" Parece que ele fez um texto, jogou tudo no liquidificador e aquela massaroca ele cuspiu no papel. Às vezes ele acerta, mas, sinceramente, na maioria das vezes ele não me emociona.
Gosto é gosto.
E embora a máxima-cliché-ditado, ou seja lá o que for, diga que em relação ao sujeito não se discute, me responde: quem é que respeita? Poucas pessoas.
Ai, ai...
Eu só não entendo como isso tudo consegue terminar em pizza. Tinha que terminar com marshmallows e batida de morango! (?)



At least, I tried XD
#lol#

10 de ago. de 2010

Cabeceira de Renata.

Bem, eu tirei as seções de livros e filmes que mais gosto. (Otttteio coisas muito abarrotadas)
Entonces, resolvi falar somente sobre o livro que leio no momento e um filme que tenha sido muito tchum, a meu ver.
Para bom entendedor, o título já basta.

Faz só uns quatro dias que troquei de livro. E, de uns tempos pra cá, eu peguei a mania de uma pessoa muito querida: vivo fazendo minhas orelhinhas pelos cantinhos das páginas, marcando as passagens que mais gostei. Gabriela Viana, essa eu devo a você. Saudade, amiga.

#momento são tantas emoções#

Pois bem, vamos aos livros!

O ex-livro

Por quê? Porque a Renata decidiu abrir seus horizontes para muitas religiões. Essa minhoquinha começou quando em uma aula da PUC, de filosofia, ela ouviu a expressão Religiões Comparadas (Obrigada, Remo!). Tempos depois, ela se vê pegando um livro, emprestado por uma pessoa MEGA tudo. Tia Vê, mãe de Ana Carolina, espírita, forte, mulher, guerreira e com uma energia in-des-cri-tí-vel. Só estando do lado para entender. Mas calma Tia Vê(!): eu não fiz orelhinhas no seu! Colocarei o trecho que não resume o que o livro significou pra mim, mas que já dá aquela pontinha de valer a pena.

"Buda - O fogo da paixão acaba por se extinguir um dia. Então vasculhamos as cinzas e descobrimos uma pedra preciosa. Nós a pegamos do chão e olhamos pra ela, admirados. A pedra preciosa estava dentro de nós o tempo todo. É nossa para sempre. Ela é buda."

                                                                                      O futuro-presente livro

Sobre esse, nada sei. A introdução pede aos leitores que não leiam o livro de acordo com a visão do leste, e sim que olhem para o leste, com a visão do oeste. Baphônico!


Renatinha, a traça, entrando em ação. Mas se toda traça fosse cultura, elas não seriam somente bugs! Sejamos mais que traças XD
Boa noite a todos =)

28 de nov. de 2009

O fantástico mundo de Renata.

Quando eu era criança, sonhava em casar com o Batman. Eu era uma moleca em estado de amor platônico, cujos olhinhos brilhavam só de pensar no gostinho da aventura. Minhas cenas épicas com o Batman imaginário se tornavam reais debaixo do chuveiro e quando deitava cheia de sono. Depois surgiu a rebeldia pelo Robin, que me conquistou pela sua imaturidade e por ser menos sério que o primeiro. Fiquei um tempo vacilando entre os amores à primeira vista da infância (eu era tão malandra que namorava de mãos dadas com três ao mesmo tempo). // Começou a Revolução. Adeus Papai Noel, Adeus terra do nunca. Olá nova fase. // Me apaixonei perdidamente pelo Harry Potter. Sonhava com Hogwarts e sua magia infindável. Foi o início de um novo mundo! Uma realidade paralela que me fazia acreditar em seres que habitavam a minha fantasia há muito... uma ficção chiclete que me dava poderes, me fazia sonhar tão tão alto, morar em outros lugares e quando terminava eu ainda estava lá, sorrindo, esperando o outro ano começar. Eu era tão igual a ele. Resgatei minha alma de "meninos perdidos" e adotei Londres, Hogwarts e a Toca como minha única casa. // Carrego os mesmos sonhos desde aquela época. Estão aqui dentro. Fortes e indestrutíveis. Só que as obrigações cresceram e a realidade é um pouco diferente. No fundo sou um misto de Mulher Gato, Hermione e Elizabeth Swann. E continuarei assim, muito bem, obrigado. Nos intervalos dos tempos reais eu me vejo conversando comigo mesma. E pergunto: "Por que você tem tanto medo de magoar seus próprios herois?" Respondo: "Talvez por querer que eles sintam orgulho de mim. Quero que eles continuem aqui. E mesmo aqueles que passaram e foram embora, desejo que se lembrem da minha garra, da minha coragem e do brilho dos meus olhos. Assim como guardo boas recordações. E se por algum motivo eles ficaram em dúvida quanto ao meu caráter, asseguro-lhes que é a minha natureza. Inconstante e leal, ao mesmo tempo. Mas saibam: vocês me fizeram crescer enquanto pessoa, mulher e personagem mítico. A vocês, meu eterno sorriso."

11 de nov. de 2009

Nem 8 nem 80

Mas algumas vezes só consigo ser assim. Eu vario entre os estados tecla do foda-se e quero mudar o mundo. Às vezes me vejo isolada, perdida, decidindo se ajo ou não. E em outras, nem preciso pensar, porque já fui, cheguei e consegui/não consegui o que queria.

Consigo fazer uma lista dos meus paradoxos e antíteses (que como é muito grande, não vem ao caso listá-la). Mas uma pessoa muito querida, e sábia, um dia me ensinou a olhar o mundo com outros olhos. Aliás, devo isso não só a uma, mas a mais algumas pessoas. Neste fluxo, ao qual deu-se o nome de vida, viver nos extremos é pura alienação, criancice e perda de tempo (minha opinião).

Com o tempo percebi que perdi pessoas importantes por ter me cegado com o enjoado do orgulho. Bastava uma conversa, uma palavra, nem que fosse uma vírgula(!) e hoje eu não carregaria o arrependimento. O máximo que eu ia receber era um não (dói, mas passa). Há uma diferença muito grande entre orgulho e valor próprio. O problema é que ambos andam de mãos dadas, são casados, amantes, se amam e odeiam.

Percebi, também, que não adianta nada querer. Querer não é poder! Admito que algumas coisas na minha vida vieram mais rápido e facilmente do que eu jamais poderia esperar, mas só depois de ter saído da inércia e lutado - nem que seja um pouco - por aquela alguma coisa.

E a(s) mesma(s) pessoa(s) do segundo parágrafo me ensinou(aram) três fatores poderosos, dois quais eu não abro mão: a palavra, a vontade e o respeito. Em qualquer lugar, a qualquer hora, eles me ajudam. Mas reconheço que preciso usá-los mais e continuar... sejá lá qual for o rumo.


P.S: Hoje, por sinal, foi um dia que saiu do oito para o oitenta.
P.S 2: Estou morrendo de saudade de certas pessoas.
P.S 3: Já contei para tudo e para todos, mas falta aqui: eu vou no show do Coldplay e sou a criatura de duas pernas mais radiante deste universo por causa disso.

beijostchau :)

28 de out. de 2009

Um balanço de morangos.

- O que você tá vendo?
- Eu vejo um coelho...
- Aonde?
- Ali - uma mão pequenina aponta para o céu - entre aquela nuvem gorda e a outra mais esprimidinha.
A menina olha sorrindo para o menino e também pergunta:
- E você?
O rosto compenetrado da criança analisa para então se desfazer num largo sorriso.
- Tá preparada?
- Por quê?
- Porque o meu dragão daqui a pouco vai comer o seu coelho.
A menina se levanta do chão com um olhar desafiante. Carregava nos cabelos cacheados um bocado de grama e pequenas pétalas cor de sol. Aos seus pés, o menino a olhava com dificuldade por causa da claridade.
- Tolinho. Nuvens não tem pés. Como que seu dragão vai comer meu coelho?
- Você duvida?
Marcela arregala seus olhos azuis cheios de certeza e encara Pedro por alguns segundos.
- Meu pai me explicou como a Terra muda de lugar. A gente gira sem perceber! Mas eu ainda desconfio que as minhas tonturas tem alguma coisa a ver com essa mudança de lugar toda hora. Nós damos uma volta ao redor do sol em um ano e nosso planeta gira em torno de si mesmo todo dia. Eu aposto que você não sabia essas coisas. Mas se você quer saber eu não gosto disso. E se no meio desse caminho todo a gente encontra uma nave espacial com um monte de et's ou então um cometa cai na terra! Meu pai disse que isso não é possível... mas pra mim tudo é possível! E se você olhar pra cima de novo você vai perceber que meu dragão já acabou de comer o seu coelho. Ele disse que tá satisfeito.
A pequena criança despenca sua cabeça para trás e olha uma, duas, três vezes e não encontra mais o que há poucos segundos estava lá.
- Como ele foi embora?
- Quem mandou ele ser gordo daquele jeito? O Max não comia fazia um tempão.
- Eu tinha gostado dele. Ele parecia um algodão-doce.
Pedro pega em sua mão e diz:
- Se você quiser eu peço pro Max cuspir ele de volta.
- Deixa pra lá. Eu quero ir pro balanço.
- Eu to com fome.
- Vamos pro balanço e eu divido com você os morangos que a minha mãe colocou pra mim na mochila.
- Então tá...
Os dois se levantam cheios de vida e luz. Uma luz daquelas que só as crianças possuem e conseguem transmitir. Embalados pela amizade e pelo balanço, não deixaram um moranguinho para terminar a história.


______*______

Ouçam e vejam: Strawberry swing - Coldplay
uma ótima semana :)

19 de ago. de 2009

Uma reflexão fantástica e o "mister" do meu momento.

Comecei a faculdade!
Babei litros de felicidade pelo professor de Introdução ao jornalismo.
Aliás, nem babei. Fiquei boquiaberta. É, acho que é isso que eu quero ser quando crescer :)
Bem, resolvi dividir com vocês dois sites que são tudo na minha vida nesse momento.
Estão me ajudando MMUUIITTOO.
Talvez alguém esteja precisando de algo parecido, então vou divulgá-los!
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Agora, a parte "reflexão fantástica" do título. Ontem, quando eu estava voltando da faculdade, estava com duas amigas. Elas começaram a falar sobre o fato de como elas gostam de andar, pois isso as faz refletir sobre a vida. Quando elas andam, elas "viajam". Como ontem eu voltei andando do metrô, pensei muito sobre esse texto que encontrei em uma prova da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). O ano da prova, se não me engano, é 2003. Tirem suas conclusões e uma boa caminhada para vocês também ;)
A Internacionalização do Mundo
Durante debate em uma Universidade, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.

De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.
(Cristovam Buarque)

16 de jun. de 2009

Luis Fernando Veríssimo

Fan-tás-ti-co.

Retardatário
- Fiquei velho na época errada...
- Como?
- Toda a minha vida foi assim. Cheguei às diferentes fases da vida quando elas já tinham perdido suas vantagens, ou antes delas adquirirem vantagens novas.
- Sei...
- Passei a vida com aquela impressão de quem chegou à festa quando ela já tinha acabado ou saiu quando ela ia ficar boa.
- Sim.
- Veja você: a infância. Houve um tempo em que as crianças, assim, da minha classe, eram tratadas como príncipes. Está certo, também apanhavam muito. Mas havia as compensações. Geralmente uma avó morava junto e consolava com colo ou doce. E as mães não trabalhavam fora nem faziam expressão corporal. Ficavam em casa inventando uma maneira de estragar os filhos. Você alguma vez teve roupa de veludo?
- Não.
- Nem eu. Sou da primeira geração pós-veludo e pré-jeans. As vezes olho fotografias daquelas crianças antigas com roupas ridículas, golas rendadas, babados e me dá inveja... Aquilo sim era maneira de tratar criança. Acho que a minha geração deu no que deu porque nunca usou cacho e roupa de veludo.
- Pode ser...
- Outra coisa: psicologia. Fui da primeira geração criada com psicologia. Nada de castigo - conversa. Ele rabiscou toda a parede? Está tentando expressar alguma coisa. E usou o batom da mãe? Ih, cuidado, uma surra agora pode traumatizá-lo para sempre. Também fui da primeira geração que não precisou decorar tabuada e da última antes da calculadora de bolso. Resultado: cresci sem a noção de duas coisas: pecado e matemática.
- Certo.
- Cheguei tarde à infância e muito cedo à juventude. A revolução sexual começou um dia depois que me casei com a minha mulher porque era a única maneira de poder dormir com ela. Nós casamos num sábado e a revolução sexual começou no domingo. Ainda tentei desfazer o casamento. "Agora não precisa mais!" Mas estava feito.
- Sei...
- Minha adolescência foi um martírio. Me lembro dela como uma única e interminável tentativa de desenganchar sutiãs. Os sutiãs eram presos atrás de mil maneiras. Ganchos, presilhas, botões, solda. Você precisava de um curso de engenharia para desengatá-los. Uma namorada minha usava sutiã com uma fechadura atrás. Com combinação, juro! Dezessete para a esquerda, cinco pra direita, rápido que a mãe vem vindo! Você, garoto, nem deve saber o que é sutiã.
- É.
- Eu pensava ser um adulto sério, engajado nas melhores causas, talvez até ativista político, um guerrilheiro. Quando cheguei à idade, os jovens adultos estavam cuidando de suas carreiras e carteiras de ações. Fui da primeira geração que quando falava em ir para as montanhas queria dizer para o fim de semana. E a última que ainda usou a palavra "alienação", mas aí não sabia bem o que era.
- Entendi...
- Tudo bem, pensei. Vou me preparar para a velhice e seus privilégios, com minha pensão e meus netos. Mas a previdência está quase quebrando e meus netos quando me olham parecem estar me medindo para uma casa geriátrica. E há meia hora que estou aqui chateando você e você ainda não se levantou para me dar o seu lugar.
- Qual é, coroa? Essa de dar lugar pros mais velhos já era.
- Eu não disse? Cheguei tarde à velhice...