28 de mai de 2010

Não existe poeta em mim.

Os caminhos não pedem resposta.
Não pedem sucesso. Não me pedem... nada.
Eles seguem suas próprias vias.

Que me importa se são vias silenciosas
revolucionárias, vermelhas ou nuas.
Se sei que todas irão se encontrar num mesmo fim.

Não, não é o fim morte.
é o fim de um ciclo.
Acaba para ter seu novo início; inicia para um dia renascer.

__________________________________________


Não adianta... Eu não sei poetizar! Não sei escrever, desconheço minha gramática, sou insegura no português, arrisco meus tempos verbais. A fluência das letras digitadas são cuspidas de maneira errônea. Nunca gostei da minha versão em versos: a prefiro em prosa. Não gosto de intercalações e combinações no final da frase: sempre gostei das poesias que descombinam e não tem nexo. Transformo tudo em texto; vejo tudo em histórias, músicas, filmes, palavras e cores. E minhas cores não são metrificadas! Pelo contrário: são simples e não atendem a um padrão. Reinventam-se e transformam-se. Não sei se é a minha mania de ver tudo jornalisticamente e amar um texto corrido. A verdade é: a minha poesia é um bloco de pensamento que adquire a forma que eu quiser, a hora que eu quero. O lirismo do meu ser poético está nas imagens que chocam, na composição de sons, no sentido da mensagem, na sinceridade das minhas palavras. e isso é tudo o que eu quero... Isso se chama felicidade.
Fui clara?

23 de mai de 2010

Bolo de maconha holandês

Nosso bolo de maconha holandês está reservado. Sempre para as melhores noites, para os nossos melhores insights.
"Amiga, vamos comer bolo de maconha quando formos para a Europa?"
Tão certo quanto o dia de ontem. Porque não importa onde estamos: seja na nossa tão amada Lapa bebendo tequila numa roda de samba, seja comendo pipoca dentro da sala de cinema e suspirando orgasmos pelos nossos colírios hollywoodianos ou seja no Devassa engordando meu pobre colesterol. Não importa! Nem faz sentido!
Vocês fazem sentido. Vocês dão sentido. Estávamos perdidas no meio da praça bandeira, quase meia noite e ríamos. Repito: ríamos. Por pura vontade de viver.
E vocês ainda pagaram pra mim! Isso que é amizade!!! XDD
- (not, na próxima eu pago, prometo. Certo, assim como cachaça com mel misturada com cerveja)
Preciso dizer mais alguma coisa?

19 de mai de 2010

Para de puxar o cabelo, Renata Maria B. Fontanetto.

And honey, all the movements you're starting to make.
See me crumble and fall on my face.
And I know the mistakes that I made.
See it all disappear without a trace.
And they call as they beckon you on.
They say start as you mean to go on.

Coldplay - Tudo por causa de um Rush of Blood to the head

O relógio parou. cronologicamente falando.

Cena de sonho: sinto-me regredindo no momento em que tento avançar para frente. Regredindo em apenas um sentido. Na verdade para todos os outros estou parada no mesmo lugar.
Cadê a ascensão?
Eu estava no precipício, disso tenho certeza. Mas agarrada de alguma maneira a ele, pudera eu ter afoitamente me desgrudado e caído acidentalmente?

Tão bonita para ter quebrado a cara deste jeito. Mulher margarina (not).
Contenta?
Felizmente não.
Como posso me reconstruir se sou tão into blues e desesperadamente junto fragmentos ordinariamente desconexos?

A bonequinha de luxo caiu, mas sua enésima vida falou mais alto.

Eu preciso me olhar no espelho para dar uma boa gargalhada de mim mesma.

Palhaça. Sua idiota. Ficou temporariamente burra, bebeu renda com rasteirinha barata? Poxa, eu te achava tão diferente... Não conte comigo desta vez, darling: estou presa na rotina. Você vai ter que enxergar sozinha todos aqueles que estão na sala de espera do hospital esperando você sair deste estado vegetativo. Lembre-se que a caneta nas suas mãos escreve muito além do que você imagina e que seus lábios não foram delineados para se prostituírem por um cigarro.

Not anymore.

Why?

13 de mai de 2010

Parte III - a poesia do meu momento

Sem versos para distinguir seções.
Nenhuma rima para combinar com qualquer final.
Sem pontos de exclamação suficientemente grandes.
Tampouco pontos de interrogações inventados.
Gritos pálidos e matutinos.
Confiança veterana depositada.
Teimosia geneticamente herdada.
Fator X'R em todas as minhas células.
Saudade devidamente declarada.

Quero você que por tanto tempo me aguentou.
Quero você que os céus teimam em abençoar.
Quero você: com seus defeitos e carinho sem igual.
Quero você.
Quero você: longe de mim.

Quero a mim. Esfinge, cleópatra, quimera, deusa.
Quero o mundo. Quero tudo. Quero apenas isto.
A poesia do meu momento: a vida.

Parte II

Foi o flash de uma viagem de ônibus, mas eu nunca tive tanta felicidade por ter tido um flash.
E o flash se tornou ainda mais intenso quando cheguei do trabalho e aguentei mais uma briga com a minha mãe. Como eu queria ser dona o suficiente de mim mesma para ter um lugar que eu pudesse chamar de meu. Seria perfeito: não aguentaria mais desaforos dos meus pais, não precisaria pedir pro meu irmão arrumar a cama, não daria satisfação das minhas horas no computador. Seria perfeito: eu seria a dona da minha cozinha, eu seria a dona de todas as sacolas de supermercado que compraria para a MINHA casa, eu poderia chamar quem eu quisesse para fazer bagunça no MEU quarto. Seria perfeito: eu acordaria com a pessoa que eu bem entendesse ao meu lado (ficaria horas de porta tracanda) e daria várias festas de arromba para no dia seguinte sentir tanta dor de coluna depois da arrumação. Eu iniciaria a minha vida assim: sendo minha dona.
Posso compartilhar meu flash com vocês?
Vou contar como seria minha casa.
Sou uma menina de muitos encantos e muitos detalhes. Eu moraria num prédio de planta baixa, daqueles antigos, de três andares, no máximo, com janelões de frente, estilo casinha de boneca europeia. Ele seria todo quadradão e do lado teriam várias arvorezinhas. Se eu te falasse qual seria minha janela você reconheceria muito fácil: aquela com persiana branca e várias vazinhos de mini rosinhas, cravinhos e marias sapecas. Minha campainha ia ter som de passarinho, ou aquele clássimo Dim Dom. Você ia entrar e sentir cheiro de incenso - aviso logo. Minha casa inteira seria decorada com móveis antigos e patinados. Minha sala teria um sofá gigante com muitas almofadas (uma de cada cor: laranja, amarela, verde, axul, preta, branca, violeta e aquelas com tecidos indianos!); a parede atrás do sofá seria toda grafitada ou eu pintaria uma letra inteirinha do Coldplay (provavelmente Clocks); minha televisão ficaria numa estante com muitos dvd's e ao lado eu teria um porta CD em espiral multicolorido para colocar todas as minhas músicas dançantes... e áh!! Na janela da sala eu colocaria no meio de todos os vazos de flores aquelas argilas de morenas coloridas que ficam com o braço apoiado, esperando um moço bonito passar.
Minha casa teria vários quadros: daqueles que você encontra no meio da rua e compra! Meu banheiro? Ele teria várias estátuas de elefantes indianos e mini budas na posição do ohm. Eu sempre encheria um frasco com petálas de rosas em cima da pia e do lado de fora do meu chuveiro, bem ao lado, uma cesta de palha com muitos, MAS MUITOS perfumes, cremes, shampoos e coisas cheirosas e que dão vontade de comer só de sentir o cheiro. Minha cozinha será toda em preto e branco e na mesa você só encontraria frutas que a maioria não gosta: kiwis, seriguelas, pitangas, frutas do conde, caquis, graviolas, jabuticabas e bananas!
E meu quarto (*.*) teria uma letra de música, com certeza, pintada na parede e vários quadros de lajota portuguesa (quem sabe o rodapé não seria de lajota portuguesa?). Você encontraria um armário inteiro para pares de sapatos; um armário inteiro para roupas e afins; um cabide inteiro só para jornais e revistas; uma estante inteira só para livros e na minha mesa do computador muitos retratos com as pessoas mais queridas e amáveis que fazem de mim a pessoa maluca que sou acima =]
*Minha cama teria uma colcha gigantescamente fofa e rosa ou verde limão.

Parte I

No exato momento em que escrevo vejo luzes pisca pisca. Como se fosse natal. Mas não: olho novamente para a janela e descubro que são apenas reflexos de várias luzes.

E no final deste post eu lhe asseguro que você saberá do que vou começar a falar. Mas não agora - tenha um pouco de paciência. E não adianta ir para o último parágrafo porque você não vai encontrar nenhuma síntese, nenhum resumo. Então ou você se fode lendo ou você se conforma =]

(Prefiro pensar que você se conformou)

O pontapé inicial para toda a minha odisseia prosaica foram as luzes pisca pisca. Pisca pisca levam a festas de final de ano, que lembram que no natal de 2010 eu gostaria de estar morando sozinha e que remetem a uma dúvida (cruelíssima, por sinal): como será que eu verei tudo o que vivenciei este ano lá para dezembro? Já aconteceu isso com vocês? Querer saber o que vai acontecer no dia de amanhã e se no dia depois de amanhã você lembrará com tristeza ou felicidade do ocorrido. Isso geralmente só acontece comigo quando as conspirações naturais da vida começam a funcionar. Funcionar não: começam a atrapalhar. E não adianta nem querer dar uma de boa moça, ficar no meu canto, falar de menos, fazer de menos... acreditem: se a vida quer fuder com você, ela vai arranjar um jeito! Fodam-se os meus sentimentos. Então quer saber? Foda-se a vida! Fodam-se as pessoas. Só espero que em dezembro eu tenha bons motivos para acreditar que vim pelo caminho certo. Não peço nem que o caminho seja lisinho, de tábua corrida e aspirado. Pode ser aquele mais acabado, com traça, teia de aranha, sem sol e com verdadeiros pedregulhos. Isso não me assusta; só espero que tenha valido a pena tanto sacrifício. Até o presente momento algo me diz para continuar firme e forte com minhas convicções.

Pé em Deus e fé na tábua.

5 de mai de 2010

Segredos de liquidificador

"Eu vou postar isso no blog." - Renata às 23:30 de ontem, terça
A verdade é que depois de ter ficado 8 horas em pé, trabalhando dentro uma loja, vendo a mesma vitrine da frente todos os dias, vendo as mesmas pessoas com os mesmos olhares, a mesma desconfiança, os mesmos conselhos de pessoas que os falam sem nem ao menos conhecerem o meu jeito (Áh, SE conhecessem...) e lidando com clientes que sempre são tratados como os donos da razão... afinal no final do mês eles pagarão o meu salário. A verdade é que isso acaba contagiando com estresse, mas não estou ali por necessidade, estou ali simplesmente porque quero. Então paciência, bom humor e bom senso são sempre bem vindos...
(parte do desabafo mode off)
Agora sim: a verdade é que depois de tudo isso é muito bom sair da loja e te encontrar me esperando do lado de fora. Lembro de você me perguntando se tinha gostado... pois então, gostei. Tudo é muito recente e confesso que estou aprendendo a lidar com isso (nosso) ainda, mas você pode ter certeza que se meus sentimentos por você cresceram (e de certa forma mudaram), o crédito é todo seu. E se tem uma coisinha que me conquista sempre são as diferenças. Diferença de tudo mesmo: tenho uma queda pela riqueza de detalhes. E você tem um dom pra isso (minha mãe já reclamou infinitas vezes, vide o seu presente). Estou falando tudo isso pra chegar no ponto final: confesso que ontem, quando a gente desceu do ônibus e você simplesmente me abraçou e começou a atravessar a rua comigo, sem me soltar... eu fiquei tão agoniada da vida: você não me soltava e insistia em atravessar a rua me beijando.
...
Eu sabia que não ia passar carro nenhum... mas acabei dando chilique. E não sei se você percebeu mas eu só consegui retribuir tudo aquilo nos últimos cinco passos para a outra calçada. No final. Na iminência. Mas, sempre que retribuo, é porque, enfim, me ganharam. E ontem você me ganhou. Só ontem, tá? Naqueles segundos da nossa noite. De resto, você ainda vai ter que comer muito feijão com arroz =] (sinto você ficando puto)
"Fui no seu blog ontem pra ver se você tinha postado o nosso beijo atravessando a rua. XD" - Wendel pela manhã de hoje.
Pronto, ta aí. Mas não porque você comentou. Mas sim porque eu quis.

4 de mai de 2010

o mundo em burca.


Sua curiosidade me olha querendo desvendar e desfrutar todos os meus abismos, mas, para você, sou um poço de símbolos infinitos.
Meus infinitos carregam outros infinitos por dentro e junto deles está toda a minha discrição a cerca do mundo.
O meu mundo é separado por tabus e crenças que você não entende, mas para mim são perfeitamente verossímeis dentro de um contexto.
O meu contexto, não o seu.
Se você retirar a minha burca, encontrará outros enigmas: máscaras venezianas. todas escondem, todas nao mentem, tampouco falam. apenas aderem ao silêncio.
Mas existe uma coisa em comum em todas elas: a sombra e a íris dos meus olhos. Estes sim, não irão esconder meu arrepio quando você passa; a fogueira que emana deles quando sinto seu perfume; a maldição, encrustada no meu olhar que te acompanha, e que quer lançar-se em você. O medo que ignoro com medo de perder este momento. Sinta a música que meus olhos compõem. Eles nunca mentem.

1 de mai de 2010

A bala capitalista


Esta aí. Está tudo aí.
Bala, doce capitalista, ouro pelo qual muitos se prostituem (ou melhor, prostituem as pessoas da primeira linha de combate, os de primeiro escalão só recebem passivamente, sem doer). Se uma luta constante é procurar energia limpa, renovável e sustentável, por que, POR QUE, as principais transações comerciais ainda sobrevivem disso? Por que demos importância ao Ibsen se os poços descobertos na costa brasileira ainda nem começaram a produzir (o lucro ainda é especulação)?! Eu imagino o quanto de estudo sobre impacto ambiental foi realizado na área do Golfo do México (qualquer construção que envolva patrimônio nacional, público, ambiental, bem de todos e que represente risco futuros para as gerações tem que apresentar uma giganteca lauda sobre estudo do meio). Mas foi um incidente, aconteceu de repente, quem poderia imaginar? E agora? Agora a gente ferra mais um pouquinho com o planeta. Sempre é assim. Estou cheia disso.